Volto um mês depois, dois meses depois. Já não me lembro bem. E está tudo mudado. Lojas diferentes. Restaurantes novos. Há sempre outra coisa pronta a estrear e a ocupar um lugar deixado ao vazio.
Mas sempre o mesmo arrumador de carros, a mesma calçada desfeita, o mesmo lixo, as mesmas sirenes, o mesmo comentário jucoso de um transeunte: "Uma mulher como tu, tem sempre o sol pela frente."
Ainda hoje estou para perceber se ter o sol pela frente é uma coisa boa ou uma coisa má, mas conseguiu arrancar-me um sorriso da cara!
Tanta coisa que passei ao lado. Tanta coisa que não vi! Hoje pergunto-me porque hesitei.
Foi-se o meu amor por Lisboa também. É estranho, porque não o sinto a pousar em qualquer outro sítio. Desapareceu! Evaporou-se! É mais um vazio que fica a ocupar o lugar!
Chego a casa e tenho imensas cartas por abrir, de remetentes mais ou menos desconhecidos. Perfeitos estranhos para mim, mas que me tratam com a maior das delicadezas, como se eu algum dia tivesse respondido.
-Para onde vais agora?
- Não sei. Vou andar por ai. Um pouco como tenho feito até agora: sem rumo!
Preciso de outra cidade! Uma qualquer outra cidade. Já tudo me serve. Já não tenho restrições nem peço condições!
Sei que para onde quer que vá, já não vou encontrar uma Gulbenkian onde posso contentar os meus olhos com a paisagem, onde se podem ler versos suspensos em grandes lençois por cima das nossas cabeças...Onde me posso sentar na relva...A verdade é que nunca me sentei, por maior que fosse a tentação...
Foi-se o meu amor por Lisboa também. É estranho, porque não o sinto a pousar em qualquer outro sítio. Desapareceu! Evaporou-se! É mais um vazio que fica a ocupar o lugar!
Chego a casa e tenho imensas cartas por abrir, de remetentes mais ou menos desconhecidos. Perfeitos estranhos para mim, mas que me tratam com a maior das delicadezas, como se eu algum dia tivesse respondido.
-Para onde vais agora?
- Não sei. Vou andar por ai. Um pouco como tenho feito até agora: sem rumo!
Preciso de outra cidade! Uma qualquer outra cidade. Já tudo me serve. Já não tenho restrições nem peço condições!
Sei que para onde quer que vá, já não vou encontrar uma Gulbenkian onde posso contentar os meus olhos com a paisagem, onde se podem ler versos suspensos em grandes lençois por cima das nossas cabeças...Onde me posso sentar na relva...A verdade é que nunca me sentei, por maior que fosse a tentação...
...Sempre tive medo de não me querer mais levantar dali...Vou continuar sem saber.
Para onde vou, não existe um Cais de Sodré, um Mercado da Ribeira, um Parque Eduardo VII, para subir e descer a pé, uma Av. da Liberdade como esta, um Bairro Alto onde qualquer esquina é sítio de conversa, ou mesmo uma Baixa cheia de gente que não conheço de lado nenhum. Cheia de pessoas a importunar:
-Qué fro?
-Borda d’água?
-Pensos rápidos?
-Haxixe?
-Não, não quero, mas obrigada por considerar a possibilidade de eu querer. Obrigada por me considerar, a mim, de entre todas estas pessoas a passar!
Até disso...vou ter saudades!
Para onde vou, não existe um Cais de Sodré, um Mercado da Ribeira, um Parque Eduardo VII, para subir e descer a pé, uma Av. da Liberdade como esta, um Bairro Alto onde qualquer esquina é sítio de conversa, ou mesmo uma Baixa cheia de gente que não conheço de lado nenhum. Cheia de pessoas a importunar:
-Qué fro?
-Borda d’água?
-Pensos rápidos?
-Haxixe?
-Não, não quero, mas obrigada por considerar a possibilidade de eu querer. Obrigada por me considerar, a mim, de entre todas estas pessoas a passar!
Até disso...vou ter saudades!

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